Mostrar mensagens com a etiqueta AS MINHA CRÓNICAS. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta AS MINHA CRÓNICAS. Mostrar todas as mensagens

sábado, 3 de março de 2018

ACONTECEU NO OUTONO



Resultado de imagem para paisagens alentejanas


ACONTECEU NO OUTONO
Sob o colorido multicor desta paisagem de outono, tanto do meu agrado, passo, confortavelmente, mais uns breves dias aqui na minha Ribeira de Nisa - Monte Carvalho - Portalegre.
Chegado aqui, logo sinto o pulsar da vida de modo diferente!
Terminado há pouco o seco e quente verão, que, na realidade, (contrariando o calendário) os seus efeitos já vinham há muito provocando o nosso descontentamento, começo agora a sentir outro bem-estar físico/espiritual neste meu vale entre serras do Norte Alentejano.
Vejo já o arvoredo trajado de variegadas cores (as folhas coando meigamente os raios solares) quadro verdadeiramente poético que convida à interiorização e faz crescer em nós o desejo de transmitir ao papel tudo quanto sentimos de bom neste novo tempo que nos acolhe, tão amorosamente, de forma gratuita.
É dia 2 de novembro e desloco-me a Castelo de Vide, de visita a uma pessoa que me diz muito.
Tudo parece conjugar-se no sentido de me proporcionar alegria, cumprindo ao mesmo tempo este meu dever de cortesia e amizade, há muito desejado e que hoje, felizmente, espero ver concretizado.
Chegado ali, foi, então, o nosso encontro tantas vezes sonhado e, por má sorte, outras tantas adiado.
Abraçámo-nos afetuosa e comovidamente e recordámos outros bons velhos tempos, tempos em que mais de perto convivemos.
Cada um de nós julgava que este encontro jamais teria lugar!
Graças a Deus (porque não dizê-lo?!) aconteceu e sentimo-nos felizes suavizando as saudades que a ambos atormentavam já há muito tempo.
Sim, aconteceu no outono, estação por nós muito apreciada. Mais uma razão temos para, amando-nos, a amarmos. Tinha que ser assim!
Prosa poética, sim, mas verdadeiramente vivida, verdadeiramente sentida por dois seres que se amaram, amam e continuarão a amar-se.

JGRBranquinho  -  “J. Little White”







quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

UMA BELA RECORDAÇÃO

UMA BELA RECORDAÇÃO

Hoje, dia 24 de dezembro de 2016, recordo com imensa saudade, meus tempos de infância e juventude.
Recordo, especialmente, esta data festiva, passada durante quase vinte anos na minha Ribeira de Nisa, no aconchego da casa onde nasci e que, graças a Deus, ainda mantenho.
Era um dia diferente, sim, que se começava a viver e a sentir logo pela manhã com os preparativos da Consoada por toda a família, especialmente por parte das mães e avós.
Era o período das férias de Natal, que, embora o tempo sempre frio, essa doce ternura da época, celebrando o nascimento do Menino/Deus, tudo ultrapassava e nos tocava profundamente, mais que qualquer outra do ano!
As condições de vida não eram as melhores, ao tempo, mas, não tendo nós, nem conhecendo outras melhores, contentávamo-nos com as que tínhamos, sem lamentos de qualquer espécie, tal a alegria que sentíamos, imbuídos dessa terna religiosidade tão genuína que era a celebração do nascimento de Jesus.
Gostaria que assim continuasse a ser nos dias de hoje, pois, embora ainda se festeje e festejará no futuro, (estou certo) é muito diferente desses tempos que vivi com total encanto, na minha também saudosa aldeia.
Hoje, em pleno século XXI, a parte comercial sobrepõe-se muitas vezes a todo esse envolvimento cristão, com sabemos, principalmente os mais velhos que o puderam desfrutar mormente nos meios pequenos do interior do País, com o respeito devido à verdadeira essência desta data festiva.
Para nós crianças, então, atingia o ponto máximo o seu significado com os cânticos à noite, à lareira da cozinha, a azáfama dos próprios pais preparando o lume onde todos se aqueciam e se preparava a Ceia, e a  encantada expetativa da chegada, pela madrugada, do Menino Jesus trazendo as Suas lembranças que íamos encontrar na manhã seguinte no sapatinho adrede deixado junto à lareira.
Julgo que em alguns meios rurais do nosso Portugal ainda se mantém viva esta bela tradição.
Oxalá que sim!
BOM NATAL A TODOS, COMO PORTA QUE SE ABRA A UM NOVO ANO EM CONFORMIDADE COM AS VOSSAS MELHORES EXPETATIVAS.
Quinta da Piedade, 24 de dezembro de 2016
JGRBranquinho.







sábado, 12 de novembro de 2016

FINAL DE UM DIA DE JANEIRO-- Soneto




            FINAL DE UM DIA DE JANEIRO

Arrefece o dia, é chegada a noite!
É tempo de inverno, membros a tiritar.
Procura a ave, lugar onde se acoite
Todos procurando seu abrigo, seu lar.

Trabalham à luz do sol, durante o dia
Cuidam dos filhos e de si, sem paragem!
Vê-los, em seu labor, é nossa alegria
Trazem mais vida, essas vidas, à paisagem.

Finda a jornada, saudoso, volto p’ra casa.
Recolho-me breve; foi meu voo de asa!
Corro p'ra minha lareira já crepitante.

Sento-me ao seu redor, desfruto seu calor!
Imagino comigo meu qu'rido Amor!
Meu coração se reconforta cada instante.

 JGRBranquinho







sexta-feira, 4 de novembro de 2016

A FORÇA DA RAZÃO ou a razão da força?


Resultado de imagem para Outono triste da velhice

 A FORÇA DA RAZÃO ou a razão da força?!
Embora haja pessoas que dizem concordar que é a primeira que tem razão de ser (melhor dizendo, os bem formados) o certo é que a segunda ainda vinga em muitas situações da nossa sociedade, infelizmente.
Gente sem escrúpulos- que até se diz contra as ditaduras- infringe constantemente- ao sabor dos seus próprios interesses- o princípio do respeito que é devido aos cidadãos honestos, àqueles a quem na maioria das vezes devem tudo ou quase tudo o que são.
Impõem a sua força desprezando os direitos dos mais fracos, dos mais desprotegidos, não tendo consciência do mal que praticam, desvirtuando o pensamento de Nietzsche- filósofo alemão- alterando o “de” para  o “do:- “força de poder” e não “força do poder”,  sendo que é esta a  que lhes dá todas as vantagens.
Até familiarmente isso se verifica com maus tratos a quem os criou e tudo fez para que nada lhes faltasse, agravado ainda por eles  se terem privado de certas e até naturais regalias durante a vida, preocupados com o presente e o futuro dos seus filhos e netos.
Afinal, para quê? Valerá a pena esta preocupação pelo bem- estar dos descendentes, cuidando-os ainda melhor do que lhes fizeram a si mesmos em outra época?
Dirão que - felizmente - há ainda alguns casos em que os laços de família se mantêm e existe essa ligação afetiva, tratando os ascendentes com o amor e o respeito devidos e não serei eu que o nego, congratulando-me com isso, como é evidente, como é normal.
O meu alerta sentido e preocupado é para todos os que têm a missão de criar e educar. Que se cuidem e procurem defender-se, avaliando bem as situações, pois o mais provável é desiludirem-se num futuro mais ou menos próximo.
Dirão que estou a ser pessimista, mas a verdade é que, também realista, perante tantos e tantos casos conhecidos no nosso dia a dia.
Haverá muitos que saibam avaliar o que custa a criação e a educação dum filho?
Quantas noites mal dormidas, quantos dias de inquietação na procura da superação das dificuldades surgidas, no sentido único de proporcionar as melhores condições possíveis, muitas vezes, sabe Deus, com que sacrifícios!
É um dever dos progenitores, sim, mas que nunca será devidamente avaliado, muito menos, recompensado!
Em casos mais graves- até conhecidos de muitos de nós - a infâmia criminosa de maus tratos, sem o mais pequeno respeito, sem o carinho e o amor que são devidos a quem os amou e ama, perdoando, até ao limite das suas capacidades, as ofensas sofridas, vezes sem conta.
Depois… as desculpas mais descabidas, mais sem sentido, como se todo o mal de que se queixam, viesse dos pobres velhos ou estes para isso contribuíssem alguma vez.
Ao mais pequeno entrave surgido, (devido à idade avançada das pessoas) lá surge como recurso o Lar de Idosos, ainda um mal menor, comparado com os maus tratos sofridos em casa.
Meu Deus! Quanta injustiça! Se isto acontece em família como não há de acontecer no respeito dos governos para com os idosos?
Para que serviram os descontos que fizeram na perspetiva de uma velhice tranquila, se agora lhes retiram o que lhes é devido?
Mas que fazer, para além de protestar?! De que lhes serve ?! Qual a sua força ou capacidade reivindicativa? Quem os defende ou deveria defender? Mas, atenção!... Também esses responsáveis lá chegarão um dia, embora lhes pareça algo distante no tempo.
É um direito, sim - está expresso na lei- que têm os que sempre trabalharam e descontaram e é crime sem perdão serem-lhes negados esses legítimos direitos, com outra agravante, que é:- o de dessas parcas pensões, num tempo em que mercê da idade, mais precisam- ainda terem que (mais uma vez) acudir aos familiares em dificuldades, devido a erradas políticas, seguidas durante muitos anos.
Os agora chamados seniores, já perto do final de suas vidas, têm de suportar tudo isto?!
É triste, muito triste!
Até quando? São o lado mais fraco e merecem que urgentemente os governantes mudem este estado de coisas, em favor duma maior dignidade humana, há muito aguardada e imprescindível, para todos sermos nesta Terra, mais felizes.

 5 de Fevereiro de 2014
José Garção Ribeiro Branquinho