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sábado, 20 de janeiro de 2018

PRINCÍPIO E FIM?

PRINCÍPIO E FIM?
Dei-te meu forte abraço, minha vida,
Naquele momento d’amor, nosso jardim.
Veemência de quanto sentia em mim,
Por ti- Mulher/Amor- Mulher/Querida.
Abraçámo-nos, sim, por puro amor!
Éramos, então, ainda, muito novos,
julgando a vida, um mar de rosas!
Ingenuamente,
mal sabíamos o que nos esperava!
Vieram os ventos maus e, quase tudo se perdeu
na fúria devastadora de quem mandava!
Proíbir o Amor, quem pode?! Sim, quem pode?!
No entanto, muito jovens, que fazer?
Obediência contrafeita,
sofremos muito e, mal aconselhados,
fomos desistindo, embora na esperança
dum novo tempo que nos pudesse unir,
amainada a tempestade que nos assolava.
Não mais surgiu e fomos, cada um por seu lado,
percorrendo outros trilhos (caminhos paralelos)
que por isso mesmo, durante muitos sóis, muitas luas,
não nos proporcionaram o encontro
que há tanto aguardávamos.
Volvidos demorados anos, quis o Destino- meu Amor-
que naquela rua (Barros Queirós, em plena Lisboa)
nos encontrássemos!
Descrever esse momento é tarefa que, se por um lado é fácil, quanto à surpresa, se torna difícil dadas as sensações que por diversos estados de alma se entrechocaram!
Depois de tantos anos, num repente de sorte encontrar-te ali, é verdadeiramente indescritível por mais que eu procure as palavras- os melhores adjetivos- para qualificar tal instante!
Volvidos alguns minutos, intercalados de curtos silêncios, já refeito da surpresa, falei, então, com a calma possível, e aí começou a nossa conversa com o aclaramento das ideias a surgir aos poucos.
Falámos de tanta coisa! Algumas, até, sem muito nexo!
Convidei-te, então, para um café na “Suíça” e, ali, mais calmo, as coisas melhoraram um pouco, sem que, confesso, ainda não fosse o que é normal em mim.
Foram melhorando, acertámos contacto, e combinámos um novo encontro, desta vez já planeado.
Decorreu numa bela tarde de sábado (outra coisa não desejávamos) e tudo decorreu com a normalidade própria de pessoas que se amam e se desejam.
Tu sabes que foi assim e como continuou para nossa felicidade.
Fica este registo para a posteridade.
Adeus, meu Amor!
Um beijo.
JGRBranquinho  -  “J. Little White”





domingo, 5 de novembro de 2017

ACASO OU DESTINO

ACASO OU DESTINO

Sei quanto amei, quanto te amo, minha Flor, desde o longínquo tempo em que nos encontrámos e conhecemos-
Por um acaso (ou foi obra do Destino?) cruzámo-nos numa tarde soalheira de outono, ainda nos primeiros dias de aulas, na altura no mês de outubro.
Imagem intercalada 1Logo reparei, de modo especial, na tua figurinha de jovem adolescente!
Não nos conhecíamos, (nunca nos tínhamos visto) saudámo-nos com “um boa tarde” e cada um seguiu o seu caminho.
Volvidos curtos momentos- dados “meia- dúzia" de passos, olhei para trás (e… Santo Deus!) nossos olhares se encontraram!
A minha vontade era ter logo voltado para trás e, se não o fiz, foi só por acanhamento.
Chegado ao local onde me dirigia, (a casa de meus avós, no sítio das Hortas) assim que pude, cumprida a missão que ali me levava, despedi-me e voltei correndo à tua procura, coração alvoroçado.
Por sorte, fiquei a saber por que razão ali estavas e, logo na manhã seguinte, voltei a essa velhinha estrada procurando ver-te de novo.
Assim aconteceu e logo decidi que te ia escrever. Enviei a carta por mão própria e, agora, era só esperar por uma resposta agradável.
Alguma incerteza em mim, levava-me a recear, embora (intimamente) confiando e desejando, apaixonado como estava, numa aceitação por tua parte.
Foram breves, embora me parecessem bem longos, os dias em que aguardei a tua ansiada resposta.
Certezas, na verdade, não as tinha, mas era tal a paixão que sentia, que, por isso, também não queria admitir que não aceitasses o meu pedido de namoro.
Debatia-me entre dúvidas e esperanças e, a cada dia que passava, esperava receber essa missiva de assentimento, que tanto almejava.
No dia 31 de outubro (era sábado, véspera do Dia de Todos os Santos) veio a Luísa, então, trazer-me em mão essa bendita mensageira de amor que eu tanto aguardava!
Não é possível, ainda hoje, descrever o que então senti! Era, verdadeiramente o meu primeiro namoro, pois, até ali, eram apenas coisas de criança.
Senti a tentação de contar a toda a gente o que me estava a acontecer, tal era a minha alegria, mas não era preciso, pois num meio pequeno como era aquele, logo se viria a saber; apenas o fiz a familiares e amigos mais chegados.
Nos dias seguintes, acordava ansioso, feliz, e lá ia eu para a porta à espera de te ver passar para a Escola. Víamo-nos todos os dias e todos os dias trocávamos bilhetinhos, (os teus artisticamente dobrados), que eram o meu encanto e que avidamente lia!
Por razões que não nos convenciam, começaram a surgir obstáculos, mas que nós, habilmente, lá íamos contornando, pois nos amávamos verdadeiramente.
Mais tarde, na cidade, tornou-se mais fácil e demos largas ao nosso amor, embora sempre contando com alguma má-vontade, que não aceitávamos de modo algum, gerando em nós revolta que nos atormentava. Então, procurávamos, como bem te lembras, de comum acordo, os lugares mais recônditos para nos encontrarmos e isso nos ia confortando.
Quantas vezes falámos em resolver, de vez, o problema, mas éramos muito novos
e as dificuldades eram insuperáveis, não tendo nós condições para agir, limitando-nos a aguardar melhores dias, embora a muito custo.
Depois, foi o que tu sabes e que, agora, já tão tarde, não podemos alterar, seguindo cada um o seu caminho paralelo.
Foi o Destino a ditar as suas leis.

NOTA:-
 Como me pediste há tempos, aqui deixo este resumido apontamento, lembrando aquele tempo de alegrias e, também de dores, por tanto nos amarmos.
Faz o que quiseres deste escrito, embora me dissesses e acredite que gostasses de o guardar.
Até sempre!
O meu apertado abraço.
L.White.