sexta-feira, 4 de julho de 2014

AH! HOMEM DUMA CANA ! AH! MULHER DUMA CANA!




AH! HOMEM DUMA CANA!  AH! MULHER DUMA CANA !

Esta, a expressão que hoje recordo.
Ouvi-a há muitos anos, pela primeira vez, na minha Ribeira de Nisa.
Era uma expressão de muita admiração por aqueles ou aquelas que se distinguiam num qualquer ramo de atividade.
Era muito frequente naquele tempo, constituindo, até, um forte incentivo para quem, por obra sua, se tornava digno da admiração das pessoas que os viam como alguém mais sábio, mais forte, mais competente no âmbito das tarefas que lhe incumbiam.
Expressões que quase caíram em desuso, e de tal modo que, fazendo eu uma experiência há tempos, verifiquei que muitos a desconheciam.
Antigamente dava-se muita importância a expressões que tinham, até, um sentido engraçado e refletiam com propriedade situações do dia-a-dia, tais como esta em que se demonstrava admiração por alguém e era, simultaneamente, um elogio que agradava, logicamente, àqueles a quem se dirigia, constituindo um incentivo para continuarem, e, se possível,  aprimorarem as suas qualidades.
Recordo, também, algumas de acusação, de censura, como :- "não tem careio", " mau como as cobras" " tem o diabo no corpo" " mal azado", etc. etc.. que talvez nos meios rurais ainda se mantenham.
Recordo, também, o uso dos ditados, que os havia, bem ajustados, para a grande maioria das situações.
Quanto a estes, surgem, agora, algumas pessoas que num trabalho meritório de prospeção - como foi o caso da minha amiga Deolinda Milhano, que conseguiu reunir vinte e cinco mil ditados populares, e se apresta para uma nova publicação correta e aumentada, que em breve teremos ao nosso dispor.
São tudo formas louváveis de recuperar expressões da nossa identidade que são nosso património, enriquecendo a nossa língua e mostrando  aos mais jovens, ditos de espírito que eram de uso corrente no passado, mantendo bem vivas essas nossas ancestrais tradições.
Constituíam e ainda por vezes constituem um bom recurso da língua, nos contactos diários. Quantas vezes se recorre a eles para acentuar ideias, valorizando o teor das conversas ou reforçando uma afirmação de cada um dos interlocutores.
Por isso, amigos, além da graça própria que têm, não devemos desprezar esse conhecimento ancestral que ilustra e enriquece uma boa conversa. Se são úteis, porque deixá-los no esquecimento?!
Ainda bem que há pessoas que os utilizam, transmitindo-os no seu dia-a-dia aos seus comparsas e outras que os publicam, de modo a ficarem registados para a posteridade.
Eu utilizo-os com frequência, por hábito já muito antigo e porque gosto.

NOTA:-Comecei por uma expressão, também antiga e acabei nos ditados. Não me levem a mal.
O meu OBRIGADO aos que me lerem, fazendo, claro, cada um o seu juízo.

Quinta da Piedade, 4 de julho de 2014
JGRBranquinho

quarta-feira, 2 de julho de 2014

ACONTECE COM FREQUÊNCIA




ACONTECE COM FREQUÊNCIA
Não sei porque me iludo muitas vezes nesta vida!
Iludo-me por ser ingénuo?
Iludo-me por uma força maior que me domina?
Porque alguém habilidosamente me leva à ilusão?
Por um encantamento pontual baseado na beleza de alguém que encontro?
Por meu próprio feitio? Por minha fraqueza?
Porque circunstâncias baseadas na falsidade de outrem- para mim desconhecida- me levaram a acreditar, enganando-me?
Confesso que interrogando-me muitas vezes porque caí no logro, encontro diferentes razões, consoante os casos.
Umas vezes por uma razão, outras por outras (pois nem sempre os motivos se repetem) e lá vou eu no engano, convencido de que tudo está bem, até que se faz luz no meu espírito e verifico que caí mais uma vez.
De há uns tempos para cá várias vezes fui vítima pela minha boa-fé, apenas por isso.
Ando uns dias “a remoer” sobre o acontecido, digo que não mais “vou no embrulho” e volvidos uns tempos lá aparece um novo caso. Se está recente um outro engano, medito um pouco e reajo dizendo que não, principalmente se for de idêntico género.
Podia aqui relatar vários casos sucedidos comigo, em que “ fui levado” mas, felizmente, nunca no “conto do vigário”. Isso, não! Também não sou assim tão ingénuo que me cegue a ambição…
Conselhos? Apenas alertar-vos para os perigos que nos cercam em várias situações que surgem sem esperarmos, e que, apanhando-nos de surpresa, nos podem levar a acreditar para nosso inteiro prejuízo.
Deixo ao critério de cada um o cuidado a ter com algumas aproximações imprevistas, todas com o aspeto de nos serem úteis, claro!... Algumas, até!... para que nos sintamos bem em praticar ações de benemerência- vejam bem- apelando à nossa consciência!
Portanto, cuidado!
O meu abraço aos que me lerem e por isso tomarem algumas precauções, defendendo-se desses “amigos” que por vezes encontramos no nosso caminho.
Quinta da Piedade, 2 de julho de 2014
JGRBranquinho


domingo, 29 de junho de 2014






IMAGINEMO-NOS NO NOSSO ESTÁDIO, PRESTES A  INICIAR-SE  UM JOGO

CAMISOLA VERDE BRANCA
AO PEITO O "LEÃO"
ENTRAM OS JOGADORES
GARBOSOS, APRUMADOS!
SOAM MAIS APLAUSOS
BATE MAIS O CORAÇÃO
ESTÃO TODOS OS OLHOS
NELES CONCENTRADOS.

COMEÇA O JOGO
O ENTUSIASMO AUMENTA
HÁ QUEM DESFALEÇA
TÃO FORTE A EMOÇÃO!
SUCEDEM-SE OS LANCES
CADA QUAL COMENTA
É CADA VEZ MAIOR
A EXALTAÇÃO.

INQUIETA...
QUER O GOLO
A MULTIDÃO SUSPENSA!
HÁ GRITOS P'LO AR
ESTÃO TODOS A SOFRER
IMPORTANTE É GANHAR.
NINGUÉM ARREDA PÉ
NAQUELA MOLE IMENSA
SÓ A VITÓRIA INTERESSA
NINGUÉM SONHA PERDER.

SURGE, ENTÃO, O GOLO 
DA NOSSA VITÓRIA!
HÁ ALEGRIA A RODOS
SAUDAÇÕES SEM PAR!
ALI SE FORTALECE
NOSSO ORGULHO, 
NOSSA GLÓRIA
NUMA CAVALGADA
QUE NINGUÉM VAI PARAR.

ACABA O JOGO
HÁ VIVAS,
ABRAÇOS EM PROFUSÃO!
NOS ROSTOS
ALEGRIA INCONTIDA
SEM IGUAL!
EXULTA EM PLENO
CADA CORAÇÃO
É MAIS UMA VITÓRIA.
GLÓRIA, SPORTING CLUBE DE PORTUGAL!

 Com os meus cumprimentos
,Saudações Leoninas
José Garção Ribeiro Branquinho - Sócio n.º1.565-0




PASSAM AS HORAS




PASSAM  AS  HORAS

Passam as horas...
      sucedem-se os dias
                 na minha cidade!
Percorro seus recantos-
                   minha saudade.

Quisera estar alegre
     - M U L H E R -
          - por nosso amor!
Não mais chorar
          por hoje te não ver!,.
Sabendo que nos amamos
          e amanhã te posso ter...
Acalmando esta inquetação,
          reflexo desta dor.

Passam as horas,
     sucedem-se, também,
               longas noites sem ti.
Há revolta em mim
                pois te quero tanto!
Vou procurar-te
                e não te encontro aqui
E sofro  tanto
                meu desencanto.

Hás de voltar -
        -  meu  A M O R  -
              - mas vem depressa!
Sossega o coração
             que por ti chama.
Sem ti, aqui,
             nada mais me interessa
Todo o meu ser
             .por ti reclama.

Quinta da Piedade, 29 de junho de 2014
JGRBranquinho
     


sexta-feira, 27 de junho de 2014

VAI LONGE O TEMPO



VAI  LONGE  O  TEMPO

Vai longe o tempo da minha primavera!
De meus verdes anos- cantada alegria.
De meus sonhos de vida, minha fantasia
Em meu recanto d'encanto- saudosa era.

Está muito longe, mas nunca esquecido!
Bem vivo na memória de quem o viveu.
Pela felicidade que o Céu me concedeu
P'lo viver em paz que me foi concedido.

Está longe, sim, mas não esqueço e agradeço
A DEUS por tanto bem! Será que o mereço?
Sei que errei, que pequei, mas peço perdão.

Com olhos de misericórdia... o mesmo DEUS
Me julgue, em SUA BONDADE, plos erros meus
Me conceda por SEU SANTO AMOR, a salvação.

Quinta da Piedade, 26 de junho de 2014
JGRBranquinho





terça-feira, 24 de junho de 2014

MEMÓRIA INCENDIADA





MEMÓRIA INCENDIADA

Minha memória se incendiou e fez-se luz em meu ser saudoso!
Volvi ao passado longínquo, ao tempo da minha mocidade radiosa, onde tudo eram rosas no meu jardim viçoso, exuberante, todo ela cor e perfume.
Recordei com alegria e saudade uma era de sonhos- os mais belos!- quando ainda olhava para a vida sem preocupações de maior, a não ser a dos estudos, que, felizmente, decorriam com regularidade.
A saúde era coisa em que nem pensava, por não faltar, não sabendo, pois, o que era a sua falta nem as suas consequências. Pudera!
Os dias sucediam-se aos dias, sob a proteção dos pais, avós e outros familiares.
 A escola era um bom lugar (apesar da distância a percorrer todos os dias desde a minha aldeia-Ribeira de Nisa- a seis quilómetros) e onde a convivência com novos amigos na cidade, fortalecia a vontade de viver, participando nas atividades desportivas e culturais que se tinham naquele tempo, mesmo numa cidade do interior como Portalegre
Frequentava, ali, a Escola Industrial Fradêsso da Silveira, cujo curso completei, continuando depois os estudos no Liceu Mouzinho da Silveira.
Começa, então, o tempo natural do namorico e, aí, as coisas começaram a mudar um pouco, como se calcula.
As primeiras paixonetas, as primeiras cartas de amor e o tempo a ter que ser dividido entre o compromisso dos estudos e o namoro.
Em vez de constituir um problema, foi mais um motivo- e grande- para gostar de viver e ver a vida sob outro prisma.
Tudo agora era ainda mais atrativo! Que entusiasmo! Que alegria poder receber uma cartinha de amor, mesmo tendo a oportunidade de falar com a bem-amada, durante o dia!
(As coisas só começam a complicar-se a partir do dia em que surgem outras raparigas que despertam interesse e a vaidade nos invade, a ponto de querermos ter mais que uma!...)
Lembro-me bem deste estado de espírito- que me causou alguns dissabores- mas que faz parte da vida- e atire a primeira pedra aquele que não passou por isso.
Começa uma nova era de diversão, sem que a julguemos mal, pois tudo nos parece ser permitido!
É o amor a fazer das suas e… pronto!
Tempos bons, onde não víamos maldade. Divertìamo-nos!
As coisas lá se iam compondo, até que chega a altura de assentar!...
A vida começa a ser olhada sob outra ótica e, completados os estudos, é altura, então, de nos assumirmos como responsáveis, tendo já o curso e obtido o primeiro emprego, que, no meu caso, foi o primeiro e último, numa carreira docente de que guardo, também, boas recordações.
Hoje, aposentado, é bom poder recordar! Recordar todos os momentos, até os menos bons, pois com todos eles aprendemos.
Graças a Deus posso fazê-lo, pois a memória ainda não me atraiçoa.
Agradeço-TE - meu DEUS, meu PAI-  por mais esta graça.

 Quinta da Piedade, 24 de junho de 2014.
JGRBranquinho

(Continua)
JBranquinho

domingo, 22 de junho de 2014

SOBRE O TEMPO



SOBRE  O  TEMPO

Chove lá fora num tempo que se queria de calor!
O tempo invernoso que se fez sentir até aqui, não tem dado tréguas.
Julgo que já chega!...
Mas que fazer, se nada podemos contra as forças da Natureza?!
Lamentam-se todos.
Uns, porque  estão fartos de tanta chuva, pela própria inibição
 de uma vida mais ao ar livre, pelo aumento de estados de depressão,
enfim, pela falta daquela alegria que só um belo dia de sol no traz.
Outros, porque as suas vidas estão muito dependentes do estado do tempo-
casos da agricultura e da pesca, especialmente-e também de tantas outras atividades
que por se desenvolverem ao ar livre, têm nisso, um sério obstáculo ao seu trabalho.
Sabendo todos que o tempo é o que é, só a inteligência humana pode obstar
a maiores prejuízos.
É preciso ir dando luta ao tempo que vai fazendo (sem quebras nem desânimos)  
e encontrar as melhores soluções para que a nossa vida não seja muito afetada, quer pela falta de chuva, quer pelas tempestades imprevisíveis, que de vez em quando nos assolam.
O nosso clima ainda é dos mais suaves- é verdade- mas, de acordo com o que são as tradições do País, muitas vezes temos razões de queixa, pois a economia ressente-se ao vermo-nos privados da possibilidade de exercermos funções e tarefas imprescíndiveis quer para o conforto, quer para para o sustento das famílias.
Por isso, enquanto é tempo, há que aprofundar o estudo sobre as diferenças climáticas, isto é, das condições adversas que têm surgido ultimamente. Aqui temos o grande papel das escolas nos mais diferentes graus de ensino e até o conselho de alguns anciãos que lidaram uma vida inteira com a terra e conhecem alguns dos seus segredos.
A Mãe Natureza tem sido muito mal aproveitada, muito mal tratada- mesmo- e, já cansada de tantas e tantas asneiras que sobre si se cometeram, muitas vezes já não corresponde às nossas solicitações.
Para agravamento da situação veio a política errada de proibir culturas (como as do olival e da vinha) geradora, também, do grande êxodo para a cidade e abandono dos campos, onde, ainda assim, se ia vivendo e produzindo alguma riqueza.
Os que ficaram foram envelhecendo e sem forças para cuidar a terra.
Os mais novos, que partiram, não aprenderam a cuidar dela e foram, por necessidade, à procura de trabalho- não qualificado na maior parte das vezes- e jamais voltaram à terra, saindo, inclusive, para o estrangeiro.
O nosso País será pequeno, cada vez mais pequeno, se não se promoverem políticas de retorno aos campos.
Há ainda muita terra para cuidar, não somente para a pastorícia!
A Mãe Natureza tem ainda muito para nos dar se a soubermos cuidar e respeitar.
É ESTE O NOSSO DEVER.
É ESTE O MEU CONSELHO.

Quinta da Piedade, 22 de junho de 2014
JGRBranquinho