terça-feira, 26 de agosto de 2014

UM POUCO DA MINHA VIDA




UM  POUCO DA MINHA VIDA
Calcorreei estradas, caminhos e veredas do Alentejo.
Conheci montes, colinas, outeiros, planícies e vales profundos, uns habitados, outros não, mas onde a Natureza se mostrava em todo o seu esplendor.
Andei por terras que o mapa não contempla.
 Conheci pessoas de todas as classes trabalhadoras, desde agricultores, canastreiros, carpinteiros, serralheiros, ferradores e barbeiros, e até… bruxas e soldadores- os bem conhecidos curandeiros a que muitos recorreram e alguns ainda recorrem.
Ajudei o meu pai em tarefas da sua atividade, tanto agrícola como em outras a que ele se dedicou, mas sempre ligadas ao campo
A par dos estudos na minha aldeia, em Portalegre, Évora e Lisboa, fiz parte de dois Grupos de Teatro Amador- o primeiro na minha aldeia dirigido pelo meu amigo Roque- natural de Lisboa- mas filho dum casal meu conterrâneo; o segundo, o do meu clube - o Sporting Clube de Portugal, onde também fiz parte do Grupo Coral.
Vivi no campo durante as duas primeiras décadas da minha vida e por força de circunstâncias da minha vida profissional, saí para a grande cidade- a capital do meu País.
Depois de dois anos de trabalho docente em Portalegre, eis-me colocado em Lisboa no ano letivo de 1959/60- e onde permaneci até me aposentar no ano letivo de 1991/92.
Em Portalegre, trabalhei na Escola da Fontedeira; em Lisboa nas Escolas n.º 145- Vale Escuro-Penha de França- 175/190- Olivais Norte- e 24- Bairro se S. Miguel- Alvalade, para além de durante cinco anos na Administração Geral do Porto de Lisboa, onde lecionei o antigo 1.º Ciclo do Liceus a empregados da Empresa.
Num repente, vi-me a trocar o campo e pacatez da sua vida, pelo bulício da Cidade Grande- a  maior- a capital de Portugal. Aos poucos… a adaptação foi-se fazendo e o que era a novidade e estranheza diluiu-se, ajudadas (também) pelo interesse numa nova vida, procurando tirar dela o melhor, no exercício de uma profissão inteiramente do meu agrado.
Sim, o trabalho em contacto com as crianças é motivador! Dia-a-dia vemos o resultado do nosso trabalho com a agradável vantagem de o fazermos em contacto com os que nos veem quase como um pai ou como o amigo mais velho que ali está para os encaminhar.
Criam-se amizades para a vida inteira e, quando os deixamos no final do seu ciclo de aprendizagem, sentimos a sua falta que irá ser colmatada com a chegada de outros, aos quais, aos poucos, nos vamos prendendo e afeiçoando. São novos amigos, são novas amizades que se criam e se hão de cimentar para sempre.
O estímulo recebido se é o resultado positivo do nosso trabalho diário, é também o dos laços de amizade que se estabelecem e nos são vida numa vida de quase sacerdócio.
Falo, naturalmente, pela paixão que o ensino sempre foi para mim, pois desde muito novo gostei de ensinar, dando, inclusive, explicação gratuita tanto a crianças como a adultos.
Outros dirão o mesmo das profissões que exercem ou exerceram (frequente é ouvir:-“ gosto do meu trabalho e não me vejo ou não me via a fazer outro”) mas a docência, é diferente, especialmente se se faz por gosto, por vocação.
Termino este breve apontamento, aconselhando todos a que se dediquem de alma e coração à profissão que escolheram, pois se estão na “ vossa praia” é lícito que a desempenhem a contento de todos.
Monte Carvalho, 26 de agosto de 2014
JGRBranquinho

domingo, 24 de agosto de 2014

OS FADOS

OS FADOS
   
      Foi numa tarde de suave outono, lindo,
      Que dois seres se encontraram junto ao rio!
      Foi, para eles, começo de desafio
      Que não vencendo, deram por findo!
      Sim, foi um encontro de todo imprevisto
      Num lugar d'encanto mirando frescas águas!
      Foi de amor imenso, também de mágoas!...
      Como, jamais!... alguém houvera visto.
      Desconheciam o que seu fado lhes ocultava...
      Viam só rosas no mundo que os rodeava
      Ouvindo apenas seus apaixonados corações!
      Os fados tinham seus caminhos tortuosos
      Destruindo bonitos sonhos, ambiciosos…
      E... o tempo… só lhes trouxe desilusões.
     
      Monte Carvalho, 24 de agosto de 2014
      JGRBranquinho

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

EM CASA DE MEUS PAIS




EM CASA DE MEUS PAIS
Em cada de meus pais na aldeia de Monte Carvalho- freguesia de Ribeira de Nisa- sempre tivemos animais domésticos. Uns, naturalmente mais próximos- cão e gatos- outros ligeiramente menos próximos como galinhas, porcos, cabras, ovelhas, burros, machos e mulas.
Todos, igualmente, beneficiavam de bons tratos por parte dos meus pais e de mim próprio, posso afirmá-lo sem rebuço. 
Os meus pais tinham bem a noção da utilidade de todos eles e, sem esforço, fui-me habituando a seguir os seus métodos de muita amizade e respeito relativamente a esses nossos amigos.
Desfrutávamos da sua amizade, utilidade e até companhia, pois com todos era nossa norma manter  uma agradável relação. Recebíamos, também, os seus carinhos para além dos préstimos, como se calcula, sempre numa atitude de respeito e compreensão.
Perante os bons tratos- merecidos- eles correspondiam inteiramente, sentindo nós os benefícios da sua pertença e da alegria que era esse convívio, embora por vezes com alguns ralhetes naturais e por isso também precisos no relacionamento.
Todos, no fundo, trabalhavam para nós e tínhamos o dever de os recompensar. Eram- nos úteis e recebiam o tratamento adequado às circunstâncias.
Alguns desgostos por diversas razões- coisas da vida e de que facilmente se aperceberão, pois nada é eterno e, mercê da tal "senhora" que vem sem avisar, ou por razões comerciais, de vez em quando, lá sofríamos todos, a dura separação.
Claro que isso não impedia que continuássemos a nossa vida, mas que causava algum mal-estar, causava.
Todos tinham nome e a madrinha era a minha saudosa mãe. Por exemplo:- desde o gato (o caçador), passando pelas galinhas, (as suas meninas) o cão (o Tejo)- meu especial amigo- até às muares:  machos e mulas- ("O Bonito" a "Boneca",  a "Branquinha" a "Montanha"), era uma alegria lidar com eles, parecendo que nos compreendiam.

NOTA:- A propósito de nomes, ocorreu-me agora que um primo meu- o Manuel- tinha um dálmata a que chamava, simplesmente:- “cão”! Uma maneira também engraçada com aquela de alguém ter um cão com o nome:- “Não se diz”. Vejam o que era quando as pessoas lhes perguntavam o nome do cão, dando aso a sorrisos, pelo ineditismo.
Neste lidar, variadíssimos episódios- como calculam- mas nenhum por menos reconhecimento da parte desses nossos companheiros amigos.
Relembro dois deles que mais nos marcaram:- a morte de um leitão que tinha ficado dum ninhada que vendemos e, como era o mais pequenino, designado por ”caga no ninho”. Quando queria, saía por uma fresta (agulheiro da pocilga)- situada a mais de 300 metros de distância da nossa casa- e vinha comer as guloseimas que lhe deixávamos perto da porta, pois estava habituado a vir atrás de minha mãe quando ela ia levar-lhes a lavadura feita à base de batata cozida, couves, milho, bagaço e farelo.
Havia uma horta com dois poços e um tanque entre a nossa casa e a pocilga, e que dava também passagem para a nossa rua. Numa certa noite, ao que averiguámos depois, o porquinho entrou na horta e, na manhã seguinte, nada de aparecer!...
Corremos tudo ali à volta, e nada! Até que eu o descobri dentro do tanque, afogado! Corri a casa a dar a triste notícia e lá o tirámos da água, já morto, enterrando-o de imediato. Logo se constou e não tardou que os ciganos nos viessem bater à porta para os deixarmos desenterrar o nosso “ganhinho”, dizendo que era uma pena não se lhe aproveitar a carne. Não consentimos e tivemos que andar de vigia...
O outro episódio, também triste, foi quando, na mesma horta, a nossa gata- a “passarinheira”- apareceu enforcada!
Começou por comer pintaínhos, engulosou-se… e os meus pais prendiam-na durante uma parte do dia, isto é, enquanto não se recolhiam as galinhas.
Como não lhes podia ter acesso, um certo dia conseguiu roer o cordel, soltou-se e foi para a horta. Subiu para a latada na tentativa de apanhar algum passarito e, ao saltar, ficou suspensa, pendurada pelo bocado do cordel. Deve ter-se debatido para se libertar, e foi assim a morte dela.
Não sei se o meu pai chorou, mas eu e minha mãe chorámos a morte dos dois animais, quase como se fossem dois familiares.
Já agora, para terminar e não serem só desgraças, conto-vos um outro episódio igualmente na casa de meus pais- melhor- na nossa casa.
Foi a oferta dum cachorrinho branco e preto- logo batizado com o nome de “Tejo”- que a minha mãe comprou, por um pão, a uma mulher que estava a vender uma ninhada no mercado de Portalegre.
Eu era muito pequeno e nessa noite levei-o para o meu quarto por consentimento de meus pais. Não contente com isso, e como ele latisse, choroso pela falta da mãe e provavelmente por estranhar a casa, resolvi metê-lo na cama e adormecemos os dois.
O pior foi quando acordei e dei pela cama molhada!...Tudo se resolveu a bem, apesar da reprimenda, e o meu amiguinho lá ficou como meu companheiro durante anos, mas… sem licença para dormir na minha cama…
Fico-me por aqui. Deixei, propositadamente, imensos episódios da minha vida de criança em casa de meus pais, especialmente no que respeita ao relacionamento com os animais, para não me tornar mais enfadonho do que, possivelmente, estou a ser.
Se o fui, perdoem-me!
 A lembrança do melhor tempo da minha vida, ainda sem escola, levou-me a escrever este despretensioso texto.
Eu gostei de o recordar.
Não me levem a mal.
Quinta da Piedade, 21 de agosto de 2014
JGRBranquinho



quarta-feira, 20 de agosto de 2014

POR MERECER




POR MERECER

Está calma a tarde. O Sol se vai escondendo!
Olho este horizonte, é o dia que termina.
Aos apelos da saudade, minh’alma cedendo
Por este amor forte que sempre me domina.
Ilhas cinzentas no azul alaranjado deste céu,
Tomam, agora, novas formas engraçadas!
Move-se igualmente o pensamento meu
Que te procura nas distâncias alargadas.
Sim, Flor, quero ter-te, pois te desejo.
Sinto saudades tuas e aqui chamo por ti.
Julgo ouvir tua voz! Não te esqueço!
E… nesta exaltação… julgo que te vejo!
E… SE TUDO ACONTECE…
      MEU DOCE AMOR…
É  PORQUE  EU MEREÇO.

 (Sem data )
JGRBranquinho