sábado, 27 de abril de 2019

UM QUADRO DA DÉCADA DE QUARENTA


UM QUADRO DA DÉCADA DE QUARENTA
Já rompeu a manhã no meu lugar
 Os homens pró trabalho vão saindo
Alegres, vão cantando, vão sorrindo
Deixam seus filhos no amado lar.

Chegados ao campo… é trabalhar!
Cada um, sua tarefa, vai cumprir.
Conversam, pensam em melhor porvir,
Sentem menos o duro labutar.

Finda o dia! É hora de regressar!
Espera-os, lá, um fraco jantar,
Para a cama vão cedo, já cansados.

Amanhã, irão cumprir mais um dia
Labutando de sol a sol, com energia.
É a sua vida, cumprem seus fados.
José Branquinho
Nota:- Este era um quadro - “anos quarenta”, tempo da minha saudosa mocidade:
 Os homens trabalhando, de sol a sol, os sete dias da semana, nos campos do nosso País, onde a única diversão era uma ligeira passagem pela taberna da aldeia, depois do trabalho, por vezes um pouco mais demorada…

José Branquinho





sexta-feira, 26 de abril de 2019

ENDECHAS DE AMOR


ENDECHAS DE AMOR

Silêncio de morte!
Medito e choro
Lembro quem adoro
 Por minha sorte.
Olho o Universo
Procuro-te lá
Quero ver-te cá
Ter-te no meu verso.

Escrevo-te, Amor
Por muito te amar
És meu manso mar
Por ti meu louvor.
Com ardor te canto
De ti tão distante
Sou o teu amante
És o meu encanto.

Quando chegarás
Ó mulher querida?
És a minha vida
Nunca mais te vás.
Hei de te abraçar
Co’o maior fervor
Por ti meu Amor
Eu vivo a cantar.

Jamais te esqueci
Neste meu deserto
De longe ou perto
Espero por ti.
Vem depressa, Amor!
Porquê, mais sofrer?
Não quero morrer
Sem ti, minha Flor.

José Branquinho







VERSOS (De autores desconhecidos)


VERSOS 
(De  autores desconhecidos)

Se soubesse que o teu querer
 Que não era fingimento
Fazia para te ver
Mais vezes em menos tempo.

Nas ondas do teu cabelo
Vou-me deitar a afogar
É p'ra que saibas, Amor
Que há ondas sem ser no mar.

Deitei um limão correndo
À tua porta parou
Quando o limão te quis bem
Que fará quem o deitou.

Oh! Elvas não é cidade
Nem vila lhe chamarão
Já os arcos da Amoreira
Deram com ela no chão.

Camponesas, camponesas
Eu sou de Campo Maior
Tenho a minha fala presa
Não posso cantar melhor.

Disse um dia um velho relho,
Enfeitando.se ao espelho
E fazendo mil trejeitos:
- Os espelhos no meu tempo
Eram muito mais perfeitos


Fui ao mar colhi cordões
Vim do mar cordões colhi

Guardei-os nos calções
Tenho-os aqui para ti.

Nota:- Os dois últimos versos são da minha autoria.
José Branquinho

quinta-feira, 25 de abril de 2019

A CONVOCATÓRIA E A REUNIÃO

A CONVOCATÓRIA
Com toda a honra e prazer cumpro o dever de convocar a Ex.ma Assembleia Geral, de acordo com a Lei Geral do País e no respeito aos Estatutos da nossa Associação para uma reunião magna extraordinária no próximo dia 19 do corrente mês de Janeiro, às 20 horas, na nossa sede sita na Av. Rocha Calhau de Pedra , n.º 27, ao lado do Museu da Pedraria.
Se em primeira chamada não estiverem presentes 51% de associados decisores com a quota de janeiro paga, esta magna Assembleia decidirá com qualquer número de decisores, volvida meia hora.
O Presidente da Associação,
Paulo Pedrosa, Pinguço Pinto Pingado

A REUNIÃO 
Ex.mos Senhores Decisores, meus amigos: 
É para mim subida honra ter-vos aqui neste dia e nesta hora tão importantes para o futuro da nossa Associação, em 1.ª convocatória, como prova do v/ interesse (aliás, nunca negado) para decidirmos sobre a decisão tomada como decisiva na nossa última assembleia, levada a efeito no ano transato. 
E isto para vos dizer de viva voz, que a decisão na altura considerada decisiva, foi agora, ao contrário, pelo Conselho Superior Decisor, julgada não decisiva! 
Com todo o respeito por Vossas Excelências, Senhores Decisores - meus muito estimados amigos - vos informo que afinal… o que era considerado decisivo já não o é, salvo se entretanto, nova Assembleia Geral decisora for autorizada, e, decisivamente, considerada decisora. 
Queiram fazer o favor de aceitar esta decisão, decidida pelo Conselho Superior Decisivo. 
Se, por acaso, algum de vós se quiser manifestar sobre esta decisão decidida pelo Conselho Superior Decisivo, de acordo com o que está estatuído nos Estatutos da nossa mui respeitável Associação, e respeitando os três minutos que cada um dispõe como decisor, queira, por favor, inscrever-se junto à distinta Mesa Decisora da nossa muito considerada Associação Decisora. 
Têm a palavra, senhores decisores. Quem quer usar da palavra? Ninguém?
Então, como nenhum de vós, amigos decisores, ousa tomar a palavra, dou por encerrada esta Extraordinária Assembleia Decisora, muito grato pela v/presença não participada, mas decisiva.
Ide em paz, de consciência tranquila pela v/ útil decisão, decidida e decisivamente decisora.
O Presidente da Mesa da Assembleia Decisora,
Pedro Pedrosa Pinguço Pinto Pingado.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

CAMÕES


“CAMÕES,  comparado
aos mais escritores,
Nem entre os maiores
foi sempre igualado”
                         João de Deus
CAMÕES,
grande CAMÕES,
 poeta maior,
 Poeta genial!
Nenhum outro
 foi melhor
no nosso Portugal.
Cantaste como ninguém,
herói nacional!
Como tu, jamais li,
 jamais vi,
POETA sem igual.
Lutaste com bravura
além-mar.
Nenhum outro
 te soube igualar,
CAMÕES  imortal!
Foste injustiçado
Mal querido,
mal visto, sem razões.
Repousa lá no Céu
Herói Nacional!
CAMÕES,
grande CAMÕES.
JBranquinho

domingo, 21 de abril de 2019

HOJE, FIZ UMA AMIGA

HOJE, FIZ UMA AMIGA
Um rosto bonito, ainda muito jovem, caracóis de ouro, sorriso aberto!
Sentada a uma mesa próxima da minha, dei por ela a olhar-me, sorrindo-me.
Correspondi instintivamente, sorrindo-lhe também.
Agradado e cheio de curiosidade por aquele encontro fortuito, de vez em quando lá se encontravam nossos olhares, sempre acompanhados de sorrisos.
A sala estava cheia, o ruído dos talheres e o bruar das conversas, em simultâneo com a programa televisivo, tornavam difícil alguém fazer-se  ouvir, embora a curta distância.
Levantei-me, e num gesto carinhoso, afaguei-a ternamente. Agarrou-me a mão, sorriu de novo, não compreendi o que me dizia, embora desde logo sentisse que apreciara o meu gesto.
A família achou bem e num ato de condescendência, cumprimentou-me, dizendo-me que a minha jovem amiga tinha engraçado comigo, ao que logo acrescentei que foi por ter constatado a sua simpática atitude que tomei a decisão de me dirigir à mesa onde estavam.
Ao fim de alguns minutos de conversa, lá nos despedimos, fazendo-me adeus e continuando a sorrir-me, esta minha amiguinha de 18 meses que conheci em Loulé, no restaurante “ O BOCAGE”, hoje, dia 17 de abril de 2019.
.Sempre tive um grande afeto pelas crianças, ao ponto de ter, logo de muito novo, ajudado algumas a “aprender a ler e a contar” como se diz vulgarmente, e ter escolhido a muito digna profissão de professor!
Sempre me entendi-me muito bem com elas. Ainda hoje sinto saudades do tempo em que exerci a minha atividade, durante 36 anos lidando de perto com crianças nas cidades de Portalegre e Lisboa.
Não sei se mais alguma vez vou voltar a encontrar esta minha amiga, como já aconteceu com outras.
MAS, HOJE, EU FIZ MAIS UMA AMIGA!
JGRBranquinho


sexta-feira, 19 de abril de 2019

DIFAMADO E PERDOADO


Mistério! desapareceu! Sumiu! Nas redondezas ninguém mais o viu. Acusado injustamente, desgostoso, desanimado. Comparado a um tal “Zé do Telhado”, para destino incerto partiu. Continuaram os roubos por ali. As conversas sobre o assunto continuavam também, com opiniões diferentes:- Umas, defendendo-o, outras, acusando-o. Embora alguém dissesse que o avistou, nunca tal se confirmou. Acusado pelos grandes senhores da terra desses tempos, de crimes (roubos) e incapaz de defender, receoso, desertou. Anos e anos volvidos, regressou à terra. Envelhecido… não foi reconhecido, nem pelos seus! Tinha sido injustamente difamado e resolvera, finalmente, após tantos anos de forçada ausência do seu cantinho, regressar, depois de ter trabalhado, clandestinamente, na agricultura, longe dos seus. Tinha que pôr fim a esse calvário! Estava decidido! Corajoso, calmo, não desanimou! Foi à cidade mais próxima. Ali se confessou! Às autoridades se entregou. Tinha sido injustamente difamado! Finalmente, depois de tantos anos injustamente sofridos, fez-se justiça, embora tardiamente. (Onde é que eu já vi e ouvi isto?) O nosso homem foi julgado e perdoado, graças a Deus.

NOTA:- Apesar de hoje ser diferente, quantos casos como este por esse mundo fora, ainda agora!