NUM DIA DE VERÃO
Naquele dia de verão
no meu Monte Carvalho- lugar onde vi a luz do dia, desloquei-me para a encosta das Sobreiras- a que minha mãe chamava as Tapadas do Avô- situada a norte do largo da aldeia e virada a sul. Os
sobreiros e as oliveiras abundam ali, ainda, deixando cair as
suas amarelecidas folhas velhas sobre o mato ressequido que, de um modo
característico, abafa e suaviza os nossos passos vagarosos.
O dia se escondia já,
a noite adormecia e pegava no seu primeiro sono, o que me fazia levantar do
pedregulho de granito (em que estava sentado) e caminhar para a vereda mais
próxima, já sob a luz suave da poética Lua cheia, tantas vezes minha amiga e
companheira inspiradora.
A par de toda esta
ambiência tão peculiar, ouvia agora os homens e as mulheres que regressavam do
trabalho no campo e se dirigiam a suas casas para o preparo do merecido jantar
e cumprimentando amigavelmente os vizinhos a quem desejavam 'uma muito boa noite.'
Ao mesmo tempo, a
criançada, acabadas as aulas e antes do jantar, divertia-se no pequeno parque
infantil, enquanto outros, mais crescidotes, continuavam a pontapear a bola
apesar da pouca luz no largo, ao mesmo tempo que reclamavam por uma jogada mal
sucedida. Todos, afinal, a aproveitarem os poucos minutos antes do chamamento
para o jantar e a consequente proibição de voltarem a sair de casa, pois havia
aulas na manhã seguinte.
Tudo como no meu
tempo- há já muito tempo- e que ali revivi com saudade extrema!
Este quadro na
aldeia, enquanto ainda houver quem trabalhe a terra (embora agora já muito
menos que nos meus tempos de juventude) é ainda muito importante e para mim é
um enorme motivo de satisfação. A terra é mãe e não podemos abandoná-la. Na
terra está muito da vida de todos nós.
É imperioso refletir
e estudar com afinco as razões que levaram as pessoas a deixar os campos, de
modo a corrigirem-se esses erros e de novo podermos ver os nossos campos
cultivados, com o regresso de alguns que ainda possam e saibam trabalhar a
terra e mantendo nas regiões do interior, os novos, dando-lhes condições de
vida, possibilitando-lhes que aprendam com os mais velhos e, também, por outro lado,
procurando adquirir o conhecimento indispensável em escolas agrárias, de modo a podermos
ver a terra florescer de novo- A TERRA MÃE.
Quinta da Piedade, 20
de janeiro de 2015
JGRBranquinho
Sem comentários:
Enviar um comentário