sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A FESTA/ FEIRA DE S. MATEUS




Era o mês de setembro e aproximava-se o dia 20- dia da Festa e Feira de S. Mateus na vizinha cidade de Elvas, e que ia até ao dia 25 do mesmo mês.
Começavam ali os preparativos para a maior e mais bonita das festas do meu Alentejo, também com a procissão em honra do Senhor Jesus da Piedade, o que atraía, também, grande número de fiéis católicos.
As duas- Festa e Feira- congregavam milhares de pessoas que para ali se dirigiam nesses dias a que se juntava grande número de feirantes dos mais diversos ramos de negócio, com as típicas barracas, cujo recheio constituía a alegria e a tentação das crianças, por motivo dos brinquedos que conseguiam obter dos pais, evidentemente.
 Também contribuíam para a animação deste importante evento, os muitos ciganos que na altura tinham como único negócio a venda de muares que adquiriam por baixo preço- dada a fraca qualidade que esses animais tinham, também mercê da idade - a outros negociantes de gado- os “marchantes”- e aos próprios lavradores da região.
Meus pais nunca faltavam a esta grande Festa/Feira! Desde os meus primeiros anos que com eles nunca faltei, até porque tendo família na cidade- as tias Mariana e Perpétua- tínhamos onde ficar e, muito bem instalados.
Confesso que, vivendo na minha aldeia- Ribeira de Nisa/Monte Carvalho, muito perto de Portalegre- mas a cinquenta quilómetros de Elvas, para mim e para os daquela região no Norte Alentejano, ir ao S. Mateus era razão do nosso maior e mais justificado contentamento.
Era verdadeiramente impressionante o movimento e a beleza do desfile dos trens a charretes- rica e artisticamente ajaezados- em que os lavradores se deslocavam, causando a admiração de todos!
Outra grande contribuição festiva era dada pelo povo da vizinha vila de Campo Maior, com as  suas alegres danças e cantares, todos os anos renovados! Levavam sempre uma moda nova- as célebres “saias” que faziam gala de cantar afinadamente.
Gozando da proximidade de Badajoz, tambéma animação festiva e comercial era de realçar com a vinda de muitos dos “nuestros hermanos” .
Naturalmente que, para mim, era um verdadeiro delírio ir a esta Feira/Festa, que era mesmo a mais importante a concorrida do Alentejo, isto nos anos quarenta… cinquenta. Infelizmente,  agora já não será bem assim, o que me deixa muita pena.
Hoje recordo-a com imensa saudade, por todas as razões que facilmente podeis calcular, até mesmo por estes aspetos que aqui menciono e jamais esquecerei, por muitos mais anos que eu viva.
Quero voltar em breve- próximo setembro- mas receio que apesar de continuar a ser importante, me venha a desiludir. Oxalá que só um pouco.
JGRBranquinho--- “Zé do Monte”
  

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